A virada para a nova década está cada vez mais próxima. Isso coloca o setor de transporte e logística diante de um desafio estratégico: como se preparar para uma era que terá como marcas a digitalização, a transição energética e a pressão por eficiência? Estes são os desafios do que o mercado chama de logística 2030.
Com menos de cinco anos até o marco, empresas, operadores e embarcadores precisam entender o que está por vir, bem como quais movimentos já começaram.
Infraestrutura: o ponto de partida da logística 2030
O Brasil vive um ciclo de investimentos em infraestrutura que deve influenciar diretamente o custo logístico até 2030. Programas federais, concessões, parcerias público-privadas e linhas de financiamento (como as do BNDES), entre outros, são exemplos que vêm direcionando recursos para:
- modernização e ampliação de ferrovias;
- expansão da cabotagem;
- melhorias em portos;
- integração multimodal.
Esses projetos respondem a gargalos históricos e tendem a reduzir a dependência do modal rodoviário. Estudos estratégicos do BNDES e relatórios de mercado publicados na última década já indicavam o avanço da ferrovia e da cabotagem como vetores de competitividade.
A consolidação dessas obras, porém, depende de dois fatores essenciais: execução no prazo e estabilidade regulatória. Sem esses elementos, parte dos ganhos previstos para a logística 2030 pode ser postergada.
Crescimento do mercado e mudança na matriz logística
O setor logístico deve continuar expandindo até 2030, impulsionado principalmente por:
- agronegócio e mineração;
- indústria de transformação;
- aumento da demanda por armazenagem;
- e-commerce e entregas urbanas.
Esse crescimento pressiona por mais capacidade operacional, modelos de entrega mais rápidos e soluções multimodais. Com isso, a tendência é ver uma rede logística mais distribuída, repleta de:
- centros de distribuição regionais;
- micro-hubs urbanos;
- maior integração com ferrovias e cabotagem;
- terminais mais automatizados.
Para empresas de transporte e operadores logísticos, isso significa, em resumo, repensar fluxos, contratos e rotas. Dessa forma, será possível acompanhar um mercado mais complexo e mais exigente.
Digitalização e automação: o novo padrão competitivo
Se existe um eixo responsável por acelerar a transformação logística até 2030, sem dúvida ele é a tecnologia. Nos próximos anos, diversas soluções deixarão de ser diferenciais para se tornarem requisitos mínimos de competitividade, por exemplo:
- TMS e WMS avançados;
- telemetria e rastreamento em tempo real;
- automação de armazéns;
- integração via APIs e EDI;
- visibilidade ponta a ponta da cadeia;
- blockchain para documentos e contratos;
- uso intensivo de IA para roteirização, previsão de demanda e controle de estoque.
A digitalização reduz erros, melhora a previsibilidade e fortalece a tomada de decisão com base em dados. Para muitas empresas, essa jornada começa pela integração entre áreas e pela padronização de processos internos. Do contrário, a adoção tecnológica não gera os resultados esperados.
Descarbonização e transição energética: nova fronteira da logística 2030
A agenda ambiental será um dos pilares da logística 2030. Consultorias, organismos multilaterais e bancos de desenvolvimento, entre outros, já tratam a transição energética como oportunidade econômica, regulatória e competitiva.
Entre as transformações esperadas até 2030 estão:
- maior uso de veículos elétricos em centros urbanos;
- expansão de biocombustíveis de baixa emissão;
- ganho de relevância da ferrovia e da cabotagem pela eficiência energética;
- exigências crescentes de métricas ESG por parte de clientes e financiadores.
Empresas que adotarem modelos de operação mais limpos tendem a acessar novos mercados e reduzir custos de longo prazo. Como resultado, tendem a melhorar sua posição em cadeias globais de suprimentos.
Impactos práticos no dia a dia das empresas
Certamente, as transformações previstas não ficam no campo estratégico. Elas, de fato, já apresentam impactos diretos na operação. Podemos citar, por exemplo:
- Mais ferrovia e cabotagem para longas distâncias, reduzindo custos por tonelada;
- Portos digitalizados e integrados, com menor tempo de espera;
- Expansão de hubs urbanos, com centros dedicados ao last mile;
- Roteirização e visibilidade em tempo real, suportadas por IA;
- Mudanças regulatórias constantes, exigindo atualização de sistemas e processos;
- Gap de mão de obra, caso a qualificação não acompanhe a automação.
O futuro logístico combina eficiência, tecnologia e sustentabilidade. Diferente, assim, do modelo que predomina hoje.
Como empresas podem se preparar para a logística 2030
Antecipar-se é o caminho para transformar risco em vantagem competitiva. Algumas ações fundamentais incluem:
- Acelerar a digitalização interna com TMS/WMS modernos, telemetria ampliada e integração total entre sistemas, por exemplo;
- Planejar redes multimodais para incluir ferrovias e cabotagem nos estudos de rota, sempre que viável;
- Investir em práticas ESG, monitorando emissões, atualizar frotas e adotar metas internas de sustentabilidade;
- Requalificar equipes a partir de formação técnica em tecnologia, dados, automação e operação multimodal, entre outros métodos;
- Rever contratos e modelos de custo, aproveitando a transição para o IVA dual (CBS e IBS) e outras regulações que exigirão ajustes constantes.
Empresas que começarem essas adaptações agora chegarão a 2030 mais eficientes e mais competitivas. Em resumo, mais preparadas.
A logística 2030 será o motor da competitividade nacional
A logística 2030 representa uma combinação de desafios e oportunidades. O país tem potencial para conquistar protagonismo global graças à sua posição estratégica, ao peso das exportações de commodities e ao tamanho do mercado interno.
Se os pilares levantados neste texto avançarem em conjunto, a logística brasileira poderá se tornar mais integrada, previsível, digital e sustentável. Assim, será capaz de conectar o país ao mundo de forma mais rápida, inteligente e verde.
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